
Fotos: Leo Munhoz/Secom GOVSC
Um dos maiores projetos de transmissão de energia do Sul do Brasil avança mais uma etapa. O Governo do Estado de Santa Catarina, por meio do Instituto do Meio Ambiente (IMA/SC), concedeu a Licença Ambiental Prévia para o Projeto Graúna, reforçando a segurança energética e a integração do sistema elétrico nacional. A entrega oficial da licença ocorreu nesta terça-feira, 5, na Casa d’Agronômica, em ato com a presença do governador Jorginho Mello e do presidente do IMA, Josevan Carmo da Cruz Junior.
A licença autorizada nesta terça-feira compreende parte do empreendimento sob responsabilidade de Santa Catarina e prevê a implantação de um sistema de transmissão em alta tensão (525 kV), com cerca de 251 quilômetros de extensão, atravessando 13 municípios catarinenses e dois no Paraná. A estrutura inclui duas linhas principais — Abdon Batista – Abdon Batista 2 e Abdon Batista 2 – Curitiba Oeste — além de subestações associadas e cerca de 528 torres ao longo do traçado.
O CEO da Engie, Eduardo Sattamini, explicou que o projeto é mais amplo e conta com outro segmento cuja responsabilidade pela licença ambiental ficou com o estado do Paraná. Segundo o executivo o Projeto Graúna é uma das principais iniciativas de expansão da infraestrutura de transmissão de energia da ENGIE Brasil, com cerca de 750 km de linhas de transmissão e atuação em 40 municípios de quatro estados brasileiros. Em Santa Catarina, o projeto contempla mais de 325 km de linhas, abrangendo 21 municípios e investimento estimado em R$ 1,5 bilhão.
A iniciativa tem papel estratégico para reforçar a segurança energética, ampliar a capacidade de atendimento à demanda e sustentar o crescimento econômico regional. Além disso, o empreendimento deve impulsionar a geração de empregos — com estimativa de aproximadamente 3 mil empregos diretos e 6 mil indiretos —, fortalecer a cadeia produtiva local e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico das regiões envolvidas, aliado a ações de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.
Sob responsabilidade da Graúna Transmissora de Energia S.A., controlada pela ENGIE, o projeto tem papel estratégico para o fortalecimento do fornecimento de energia na região Sul e para a ampliação da capacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Por atravessar o bioma Mata Atlântica e dois estados, o licenciamento seguiu rito ordinário, com Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), sendo conduzido pelo IMA por delegação do IBAMA.

Desenvolvimento com responsabilidade ambiental
A Licença Ambiental Prévia atesta a viabilidade do empreendimento na fase inicial, mas não autoriza o início das obras. O avanço do projeto depende do cumprimento de condicionantes e da obtenção das próximas licenças.
Para o governador Jorginho Mello, o projeto representa um passo importante para o desenvolvimento do estado: “Santa Catarina precisa de infraestrutura para continuar crescendo. Esse projeto fortalece o sistema elétrico, atrai investimentos e gera oportunidades, sem abrir mão da responsabilidade ambiental”, destacou.
Já o presidente do IMA, Josevan Carmo da Cruz Junior, destacou o rigor técnico do processo e o trabalho dos técnicos do Instituto: “Essa licença é resultado de uma análise criteriosa, baseada em estudos ambientais aprofundados e no trabalho técnico qualificado dos nossos servidores. O IMA atuou com responsabilidade em todas as etapas, avaliando impactos e definindo condicionantes. Nosso papel é garantir que empreendimentos dessa magnitude avancem com segurança, respeitando a legislação e protegendo os recursos naturais”, afirmou.
Impacto regional
Além de ampliar a confiabilidade energética, o projeto também deve gerar impactos positivos na economia regional, com criação de empregos e movimentação de serviços durante a fase de implantação. Ao mesmo tempo, o processo de licenciamento prevê uma série de medidas para mitigar impactos ambientais, incluindo programas de monitoramento, recuperação de áreas e compensações ambientais, especialmente por se tratar de intervenção em áreas do bioma Mata Atlântica.

